A localização geográfica privilegiada da cidade do Rio Grande, às margens do canal que liga as águas do Oceano Atlântico ao estuário da Lagoa dos Patos, propiciou a implantação de um importante porto marítimo já no século XVIII, e mais tarde despertou a atenção para a importância de estudos relacionados com o ambiente marinho. O primeiro passo que levou ao desenvolvimento das Ciências Marinhas neste região, foi a criação da Sociedade de Estudos Oceanográficos do Rio Grande em 20 de março de 1953 por um grupo de entusiastas, entre os quais destaca-se o proeminente malacólogo Prof. Eliezer de Carvalho Rios. Em um prédio cedido pela Prefeitura Municipal, localizado no interior da praça principal da cidade, esta Sociedade instalou o Museu Oceanográfico, onde eram desenvolvidas pesquisas e foi implantada uma exposição para visitação, contribuindo para despertar na população local o interesse pelas ciências do mar. No ano de 1973, foi criado o Centro de Ciências do Mar na FURG, destacando-se a implantação da Base Oceanográfica Atlântica, em abril de 1978, que concentrou pesquisas em seus seis núcleos: Oceanografia Biológica, Oceanografia Geológica, Oceanografia Físico-Química, Avaliação Pesqueira e Tecnologia Alimentar do Pescado. No ano de 1977 os centros foram extintos por ocasião da Reforma Universitária e criados os departamentos, levando também à incorporação da Base Oceanográfica Atlântica ao Departamento de Oceanografia. Após trinta anos, no ano de 2008, os departamentos foram extintos e criados os Institutos. Nesta atual estrutura, o Instituto de Oceanografia (IO-FURG) congrega todos os pesquisadores e alunos de 4 programas de Pós-graduação e dois de graduação na área de Ciências Marinhas: além do Programa de Pós-graduação em Oceanografia Biológica (PPGOB), os programas de Pós-graduação em Gerenciamento Costeiro (PPGGC), Aquicultura (PPGAQUI) e Oceanografia Física, Química e Geológica (PPGOFQG).

A FURG, percebendo o potencial de sua inserção geográfica e a capacidade integradora desta condição para as diversas áreas de conhecimento, instituiu como sua Filosofia e Política, aprovada pelo Conselho Universitário no ano de 1987 (Resolução 14/87), sua vocação natural para o estudo do Ecossistema Costeiro, buscando alcançar e aprimorar a compreensão das inter-relações entre os organismos que o constituem, incluindo-se aí o homem, e o meio ambiente. Desde então, a ação da FURG, voltada ao ambiente marinho e costeiro, passou a se fazer presente em todos os seus cursos de graduação e de pós-graduação.
 

Programa de Pós-graduação em Oceanografia Biológica

Do ponto de vista acadêmico, o pioneirismo da FURG no estudo das Ciências Marinhas foi marcado pela implantação, no ano de 1970, do primeiro curso de Graduação em Oceanologia do Brasil. Já em 1978 houve a criação do curso de Mestrado em Oceanografia Biológica, aprovado para funcionamento pelo Ministério da Educação e Cultura (Of. 42/78-SE/CNPG), tendo como primeiro coordenador o Prof. Ulrich Seeliger. A evolução constante deste curso levou a criação do Doutorado em Oceanografia Biológica em 1992, amparado pelo Programa Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), no qual coube à CAPES o gerenciamento da formação de recursos humanos.

Ao longo de seus 38 anos de existência, o Programa de Pós-Graduação em Oceanografia Biológica (PPGOB) evoluiu de forma permanente em direção à excelência máxima em suas atividades acadêmicas e científicas, o que lhe confere, atualmente, o conceito 6 no sistema de avaliação da CAPES. No final do ano de 2015, o PPGOB atingiu a formação de 116 doutores e 338 mestres entre os quais 30 (7%) eram estrangeiros que encontraram na FURG a oportunidade de seu desenvolvimento acadêmico e científico.